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O BLOG DO VILAS

POR LUÍS VILAS ESPINHEIRA

O BLOG DO VILAS

POR LUÍS VILAS ESPINHEIRA

ENTREVISTA RUI LAGES: "Em democracia não pode haver entendimentos com partidos que pretendem subvertê-la."

O Rui Lages é um jovem do concelho de Caminha que toda a vida admirei pela sua postura, pela arte de bem falar e pela opinião assertiva com a qual, na maioria das vezes, estou de acordo. É extremamente simpático, afável e próximo das pessoas do concelho e faz parte da política regional, sendo vereador da Câmara Municipal de Caminha pelo Partido Socialista. Tem conquistado os eleitores mais jovens e tem um papel extremamente ativo na política do concelho.

Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade do Porto e fez mestrado em Direito Criminal da Universidade Católica Portuguesa. De 2013 a 2015 foi membro da Direção do Centro Social e Paroquial da Nossa Sr.ª da Encarnação e depois, entre 2015 e 2017, foi adjunto do ministro-adjunto do XXI Governo Constitucional.

Com um currículo preenchido e uma carreira promissora, o Rui é sem dúvida um dos jovens mais icónicos do concelho, não só pela sua proatividade, como também pela sua relação com toda a comunidade. 

Seria inevitável não entrevistá-lo, sobretudo nesta altura e porque me identifico muito com ele. Falámos sobre política, sobre o concelho e sobre sociedade no geral. 

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Em que momento da tua vida a política aparece e tu vais atrás dela? Cruzou-se com os teus estudos, sempre foi um sonho ou foi algo recente?

Bem, na verdade, o meu interesse pela política surgiu algures no ano de 2001. Sempre fui uma pessoa preocupada e atenta às coisas que me rodeavam. Inquietava-me em saber o porquê das coisas. Sempre fui muito participativo na comunidade, desde novinho. Fui escuteiro, pertenci a um grupo de jovens e ao grupo coral da igreja matriz de Caminha.
Gostava de ser ativo (e pró ativo também) na minha comunidade.
E uma coisas foram levando a outras... até que no ano de 2001 tive oportunidade de participar, de forma ativa, numa campanha eleitoral autárquica. É aí que identifico o ponto de viragem de o Rui cidadão ativo (se é que assim o possa chamar), para o Rui com preocupações e interesse pela política.

O que é que tiveste de mudar na tua vida depois de te envolveres na política? Sentes que houve uma mudança de atitude não só tua, mas também da parte das pessoas?

Não diria que tive de mudar alguma coisa, pelo menos conscientemente. Provavelmente adaptei-me. A política “rouba-nos” muito daquele tempo que antes era dedicado à família ao círculo de amigos. Por vezes, preterimos o nosso círculo familiar e de amizade para estar a trabalhar e a servir a nossa população. Os fina de semana são sempre críticos, pois são os momentos em que se concentra grande parte do nosso trabalho externo e de partilha com a comunidade. Contudo, nunca senti que houvesse uma mudança de atitude das pessoas comigo desde que me envolvi na política; talvez pelo facto de me sentir sempre muito acarinhado. Não deixei de frequentar os espaços que frequentava, nunca deixei de me saber divertir.  Grande parte das pessoas com quem me dou, também elas estão de uma forma ou outra ligadas à vida político-partidária. Estar na política é uma forma que escolhemos para vivermos a nossa vida. Sempre conscientes que tudo é passageiro! Quem está na política preso por não ter mais soluções ou por ver na política uma tábua de salvação, nunca será feliz e, por consequência, nunca conseguirá prestar um bom serviço público à comunidade. Atualmente vivo e vibro com a política e com o cargo político que ocupo. Dá-me prazer verdadeiro fazer o que faço. Sinto-me feliz por contribuir para o desenvolvimento do concelho de Caminha.

Em que sentido é que achas que contribuis para esse desenvolvimento?

Quando abraçamos um projeto político temos sempre as linhas orientadoras da nossa atuação para o exercício do mandato. E quando o abraçamos com firmeza e vontade as coisas vão acontecendo. Sei que influenciei de alguma forma as decisões que são tomadas no âmbito de políticas públicas relacionadas com o desporto, juventude, obras públicas... Das primeiras obras públicas que tive o privilégio de acompanhar foi o saneamento na freguesia de Vilar de Mouros e posteriormente na freguesia de Argela. Para mim, era impensável, em pleno século XXI, existirem pessoas sem acesso a saneamento básico e abastecimento de água! Mas, a verdade é que isso acontece ainda hoje. E quando temos a oportunidade de modificar esse estado de coisas, sabemos que estamos a melhorar a qualidade de vida dos nossos cidadãos e a melhor significativamente o meio ambiente. Aos poucos melhoramos infraestruturas básicas e criamos outras (como a ecovia que está a ser executada em Seixas, ou a ligação de Moledo a Cristelo). Quando decidimos investir mais de 5,5 milhões de euros na requalificação das nossas escolas em Caminha e Vila Praia de Âncora, sabemos que estamos a fazer um enorme esforço financeiro para criar as melhores condições de ensino às nossas crianças e jovens. Apostamos na educação como fonte principal de desenvolvimento do concelho. Quando temos uma estratégia para o nosso território e vemos que a mesma está a resultar sentimos que estamos a fazer a coisa certa. Sempre que alguem exerce o seu direito de participação na comunidade, de algum modo, está a contribuir para o seu desenvolvimento.

As pessoas sentem, reconhecem e valorizam essa dedicação? Sentes que este mandato está a ser reconhecido e valorizado?

Sabes... há de tudo! Sou consciente de que não posso / não podemos agradar a todos a todo o tempo! A vida política é feita disso mesmo, de alto e baixos, de momentos, de inquietações e frustrações. Mas, genericamente acho que há uma valorização do papel que desempenhamos. As pessoas vão-se apercebendo que o nosso dia a dia não é fácil e valorizam a nossa atuação. Por vezes, somos “julgados” pelas fotografias que aparecem aqui ou ali, somos “julgados” pela aparência, ou então somos “julgados e sentenciados” nas redes sociais... O importante é que não nos deixemos afetar por aqueles que nos querem colocar amarras nos pés e valorizar aqueles que nos querem dar asas para fazermos o que tem de ser feito. Quanto ao mandato em concreto sinto que há uma valorização e uma identificação da comunidade com o mesmo. Este não é um projeto de um ou de outro, do A ou do B. Este é um projeto que congrega, que pretende unir, ao mesmo tempo em que afirmamos o nosso território. Esta é a perceção que tenho.

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Achas que as redes sociais pesam mais contra ou a favor da atuação política no geral? O que é que achas essencial nas discussões online e o que é que achas desnecessário?

As redes sociais favorecem o “passar da mensagem”. Em poucos minutos a mensagem que queremos transmitir alcançou milhares de pessoas. E isso traz vantagens e desvantagens. Eu tenho uma ideia muito clara relativamente às redes sociais na política. Para mim, são um instrumento importante, mas nunca um aliado. A facilidade com que se deturpa, nas redes sociais, uma mensagem é uma coisa assustadora. As redes sociais passaram a ser a “voz de café”, com uma agravante: a cobardia de quem se esconde atrás de um teclado, com perfis falsos que visam unicamente denegrir, caluniar, insultar! Não há um debate sério em redes sociais. Falta a relação humana entre as duas pessoas que vertem tese e a antítese. As palavras escritas por vezes não conseguem transmitir a emoção, a entoação e o estado de espírito do autor das mesmas, falta a imediação. O que vamos vendo nas redes sociais é, não raras vezes, o vociferar daqueles que se acham os arautos da razão. Eu não me arrogo de razões, mas tento sempre expor o porquê da minha ideia/reflexão. Felizmente hoje temos consórcios que fazem a análise das notícias com os fact check, mas enquanto o fact check chega ou não chega, a notícia vai viralizando (mesmo que falsa). Mas, voltando à questão, o que faz falta nas redes sociais (no debate político) é a moderação e a verdade. As redes sociais não vieram contribuir para uma política mais transparente e próxima das pessoas, infelizmente. Eu já desisti de debates políticos quer em redes sociais quer em plataformas como Messenger ou o WhatsApp. Privilegio um bom debate pessoal, de troca de ideias e opiniões e, a esses, eu não digo que não!

Até que ponto é que essas "discussões de café" online alimentam o crescimento de movimentos políticos de extrema-direita?

O discurso de café tende sempre a ser apelativo. Porque não se explora o cerne das questões. Fica-se sempre pela rama; o “politiquês” é sempre uma linguagem mais técnica e chata de se ouvir. Ninguém quer perder muito tempo com explicações. Todos nós temos uma opinião sobre um determinado tema. Mas, podemos aborda-lo de forma superficial ou então podemos tentar ir perceber um pouco mais, ver os vários cenários, prós e contras e no final extrair a nossa própria conclusão.  O facto de nos deixarmos levar pela espuma dos dias facilita o discurso daqueles que não pretendem que os temas sejas debatidos de forma séria, com dados objetivos, verídicos e concretos. Faz-me lembrar aqueles que só leem as machetes das notícias e retiram logo as conclusões, sem se darem ao trabalho de ler os restantes parágrafos. Para estes novos movimentos de extrema direita não lhes interessa ver discutido o problema de fundo! O que pretendem é criar anátemas, dividir a sociedade e criar fossos na comunidade. Encontram um ou dois temas, de franjas da sociedade e erguem-no como bandeiras.

Pergunta importante e é inevitável falar sobre este assunto e se calhar conseguirás explicar melhor do que ninguém: quão perigoso é um partido de extrema-direita como o Chega "estar a conversar" com partidos como o PSD e atraí-los como um íman sorrateiro para os seus discursos e ideologias?

O Chega é na sua génese e ideologia um partido xenófobo e racista. E não é necessário ser um estudioso de ciência política ou direito constitucional. Basta, para isso, vermos as declarações do seu líder que não tem pudor algum em mandar para África cidadãos nacionais (só pelo facto de terem outra cor de pele); ou então a perseguição aos cidadãos de etnia cigana; passando pela apresentação de proposta que violam frontalmente os direitos humanos, como a castração química ou colocar em debate a possibilidade de retirar os ovários às mulheres que abortem. Isto é uma barbaridade é um verdadeiro atentado aos direitos de personalidade dos cidadãos. Nós, seres sociais, pensantes e críticos temos a obrigação moral de desmascarar esta extrema direita. Estes "cheguistas" surgem com o canto da sereia, mas nós bem sabemos como costuma acabar este canto e a História tem-nos demonstrado isso mesmo. E mais perigoso se torna este canto quando um dos partidos basilares da democracia portuguesa se está a deixar iludir por uma sereia muito obscura. O PSD, ao colocar-se ao dispor do Chega, ultrapassou todas as fronteiras e linhas vermelhas da decência e da convivência democrática.

O que responderias a alguém que diz "tanta gente preocupada com a extrema-direita e esquecem-se que a extrema-esquerda também é perigosa"? Falo do panorama nacional especificamente.

Em democracia não pode haver entendimentos com partidos que pretendem subvertê-la. Terá o PSD vendido a alma ao diabo? Que consequências terá este entendimento? Será o PSD a radicalizar-se ou será o Rui Rio que se deixou levar pela espuma dos dias, tentando revitalizar-se? Muitas questões me surgem, mas para as quais ainda não consigo obter uma resposta. E não me venham com a conversa de que o PS se aliou à extrema-esquerda, quando governou com a famosa Geringonça. Provavelmente esta tal esquerda radical (como alguns a chamam) está para o PS como o CDS/PP está para o PSD. E não! Não podemos fechar os olhos às atuações do Chega! E sim, o Chega é a extrema-direita portuguesa, com discursos que colocam em causa o sistema democrático e os mais basilares princípios do Estado de Direito. Bem nos recordamos dos nossos livros de História, onde líamos o que foi o Estado Novo e quem lutou e pugnou pela instauração da democracia em Portugal. Recordamos aqueles que foram perseguidos, torturados, enviados para campos de concentração. Bem sabemos a importante luta travada pelo Partido Socialista e pelo Partido Comunista Português contra o fascismo! Não me recordo de ouvir o PCP, o PEV ou o BE a falar em restrições de direitos, liberdades e garantias, muito pelo contrário. Está na hora de encostar às cordas aqueles que vociferam e propagam as ideologias extremistas de direita! Temos de dizer não! Temos de erguer a nossa voz e combater contra tudo aquilo que contrarie a nossa vivência em Democracia e em Estado de Direito. Cabe-nos a nós, democratas, fazer esta luta e não baixar os braços!

Como vês a atuação do primeiro-ministro e do resto do governo neste ano atípico? Sabemos que seria difícil de lidar para qualquer governo, independentemente da cor. Que repercussões poderá ter na opinião das pessoas a forma como o governo agiu? Achas que existe desilusão da parte dos cidadãos? Isto pode ser perigoso para o avanço da oposição e, consequentemente, da extrema-direita?

Nenhum político honesto poderá afirmar que estava preparado para lidar com uma situação como esta em que vivemos, uma pandemia que trouxe consigo grandes e graves problemas sociais e económicos. Antes de ir ao fundo da questão, gostava só de elogiar o nosso Sistema Nacional de Saúde (onde incluo todos os profissionais da área). O SNS tem-se mostrado robusto e à altura das exigências. Mais uma vez, desde a primeira vaga até agora, foi o SNS quem assegurou as respostas e reagiu de forma célere e eficaz. Com isto não quero dourar a pílula, sabemos que há problemas estruturais no SNS, mas a verdade é que o SNS esteve e tem estado à altura. Como não poderia deixar de ser, compete a quem está no Governo encontrar as respostas às questões da saúde, às questões da economia, às questões sociais... e nem sempre as soluções são aquelas que gostávamos de ter. Ninguém gostará certamente de ver o seu negócio encerrado, mas também ninguém quer ver milhares de pessoas diariamente serem diagnosticadas com COVID-19, com o elevado número de mortes que lhe está associado. Quem está no governo e quem toma decisões acaba sempre por se desgastar. Este é um desgaste pessoal e emocional (sim, também os políticos são humanos e sofrem fortemente com o que se passa), mas acaba também por existir um desgaste político na opinião pública. Contudo, estou certo de que a maioria dos cidadãos compreende a extensão e alcance que as medidas adoptadas têm de ter. O nosso Governo tem respondido com equilibrio às questões da saúde e às questões da economia. Não podemos exigir tudo ao Estado. O Estado tem de intervir e minimizar impactos, mas cabe a cada um nós fazer também a sua parte. Cumprir com as orientações e não andarmos a tentar contornar as medidas que nos são impostas. Esta é a altura de sermos parte ativa nas soluções. Cada cidadão tem uma reaponsabilidade social para com o seu próximo e é essa responsabilidade que temos de assegurar e cumprir. É muito fácil criticar (e o Governo não acerta em tudo), mas quando a bola está do nosso lado, por vezes, fazemos vista grossa e tentamos passar por entre os pingos da chuva. Mas, no final, estou certo que os portugueses saberão avaliar, de forma positiva, a atuação do Governo! Um governo que desde 2015 tem fomentado a nossa economia, devolvido rendimento às famílias, apoiado as empresas e potenciando o emprego! Uma moeda tem sempre duas faces e o que penso será porventura contraditado por outros. Mas, o bom da democracia é isso mesmo. O debate frontal e direto das posições políticas. Claro que situações de crise levam sempre a que oposições oportunistas venham com discursos populistas e demagógicos. E isso vêmo-lo diariamente. São nestes momentos de crise que temos de estar em alerta e não nos deixar levar pelo canto da sereia e centrados naquilo que é o essencial. Ninguém tem as soluções óptimas e as mesmas não se encontram a todo o custo. Todos nós queríamos mais auxiliares médicos, mais enfermeiros, mais técnicos, mais médicos no SNS, todos nós queríamos hospitais de última geração. Mas, quando o Governo fala em aumento da despesa pública e incorporação de quadros na função pública, vemos logo a direita a falar num Estado obeso, em excesso de quadros ou, em última linha, falam na intervenção mínima do Estado! Mas, quando o mal bate à porta, ai nosso senhor que tem de ser o Estado a responder! Não pode haver dois pesos e duas medidas. Temos de ser consistentes coerentes e racionais. E aí, perdoem-me, só a esquerda tem respondido de forma séria e efetiva aos problemas sociais e à crise que se instalou! Em súmula, António Costa tem sido um primeiro-ministro estadista, à altura dos desafios e com uma enorme capacidade de resolução dos problemas com que nos temos vindo a debater, quer no aspeto social, quer no aspeto económico-financeiro.

Tens alguma mensagem para os negacionistas?

Não podemos perder tempo com quem nunca irá aceitar a ciência e os factos científicos. É mais produtivo e útil canalizar as nossas forças e empenho no combate efetivo à COVID-19. No mais, a História encarregar-se-á desses putativos iluminados.

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Mudando um pouco de assunto, o que tens a dizer sobre os últimos anos de mandato do Presidente Miguel Alves na Câmara Municipal de Caminha? Sobre o trabalho de toda a Câmara Municipal e do presidente em particular?

O Presidente Miguel Alves encontra-se a completar o seu segundo ano de mandato. Com a sua presidência, o concelho de Caminha ganhou o prestígio que lhe era devido. Recordo-me bem na noite em que o Partido Socialista ganhou a Câmara Municipal de Caminha, as pessoas, de forma espontânea cantaram em pleno Terreiro de Caminha “Grandola Vila Morena” de Zeca Afonso. Acho que isto só por si quis e quer dizer muita coisa. Com Miguel Alves democratizou-se a Câmara Municipal, agora não há Juntas de Freguesia da cor A ou da cor B; ou o pensamento tacanho de “se não estás comigo estás contra mim”; as pessoas e as instituições são livres de se pronunciarem sem terem receios de serem chamadas à pedra, de retaliações. Este executivo tem pautado a sua atuação naquilo que eu posso resumir em três vértices. A aposta na Educação, a aposta no desenvolvimento da indústria do turismo e a aposta na criação de Infraestruturas básicas essenciais. Nunca como neste executivo se privilegiou tanto a educação: transportes gratuitos, oferta de livros de fichas, requalificação das duas grandes escolas do concelho e na nova sede da Academia de Música Fernandes Fão (investimento superior a 5,5 milhões de euros, no total), a aceitação das competências no âmbito da descentralização, criação de programas para promover o sucesso escolar e reduzir a taxa de insucesso e abandono, isto é, investir na redução e prevenção do abandono escolar precoce e no estabelecimento de condições de igualdade no acesso à educação infantil, primária e secundária. O segundo vértice é a aposta na indústria do turismo: nunca como agora Caminha foi tão apelativa e desejada. E esta indústria que anteriormente era muito sazonal está cada vez mais a ser a tempo inteiro. E aqui vemos a iniciativa privada a dar resposta com novas unidades hoteleiras, novos restaurantes, novos comércios que apostam mais e mais na qualidade dos seus produtos e vimos recentemente um privado querer construir em Caminha um centro de exposições transfronteiriço. E o terceiro vértice diz respeito às infraestruturas: aqui vemos a aposta em trazer para o nosso concelho a rede de gás natural, a fibra ótica ou a extensão da rede de saneamento a freguesias que não a tinham. Apostamos na requalificação dos nossos espaços urbanos requalificando-os e devolvendo-os para o usufruto das pessoas. E a par de todo este investimento e aposta Miguel Alves tem conseguido equilibrar paulatinamente as contas municipais. É sempre difícil resumir cerca de dois mandatos (quase 8 anos) porque se peca sempre por defeito, mas a verdade é que o balanço que posso fazer só poderá ser positivo. E isso mesmo é o sentimento que temos da população em geral. O Miguel Alves é um homem e um político com capacidades únicas. Para quem o conhece sabe que o concelho de Caminha está sempre presente no seu pensamento. Não há fórum ou debate a que vá onde não deite a colherada a falar e a divulgar o nosso concelho. Para nós, socialistas, é uma honra e um verdadeiro privilégio poder contar com uma pessoa como ele à frente dos destinos do nosso concelho. É um verdadeiro workaholic (na boa aceção da palavra). Alguém que não baixa os braços e luta por aquilo em que acredita, defendendo os interesses do município até à exaustão. O Partido Socialista já expressou a vontade de ter Miguel Alves por mais quatro anos na Câmara de Caminha e ele será o nosso candidato, pois o convite foi aceite. O nosso presidente sente que ainda tem muito para dar de sí à nossa terra e nós sabemos que ele será a pessoa ideal para estar ao leme deste barco, num momento tão exigente como aquele em que estamos e que vamos viver. E por isso digo que o presente é Miguel Alves e o futuro também o será.

Anunciam-se grandes mudanças na atuação e nas pessoas da oposição. Qual a vossa posição perante isso? Qual a tua opinião? Achas que o PSD de Caminha se tornou uma oposição mais firme?

O PSD em Caminha tem pautado a sua atuação e combate político através dos seus vereadores na câmara municipal.
Na verdade, não vislumbro grandes mudanças. São os mesmos rostos e as mesmas pessoas. Para quem está no poder é sempre bom ter uma oposição forte e coesa, com ideias e com propostas políticas sérias. Uma oposição forte faz com que quem está no poder sinta a necessidade de ser ainda mais exigente na sua atuação. Contudo, o que vamos assistindo é que as oposições se vão acomodando ao bota abaixo, à crítica pura e simples sem propostas alternativas! Por isso, não tenho grandes expectativas!

Quando o Presidente Miguel Alves não se puder recandidatar à presidência da Câmara Municipal de Caminha, qual é a possibilidade de te vermos como cabeça do PS no concelho?

Em política, todos os cenários estão sempre em aberto. Provavelmente essa possibilidade não dependerá só de mim.
Contudo, os destinos da Câmara Municipal estão muitíssimo bem entregues a Miguel Alves e é com Miguel Alves que queremos continuar a liderar este concelho.  Se um dia me decidir candidatar serás dos primeiros a sabê-lo (risos).

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Foi um enorme gosto e um orgulho, acima de tudo, entrevistar o Rui. É urgente que se existam mais jovens conscientes e e politicamente ativos como ele. Com opinião, garra, sinceridade e frontalidade. Sem ofender nem atacar ninguém. Sempre com a melhor postura para se viver em sociedade.

Obrigado, Rui!

Instagram: RUI LAGES ®️ (@ruilages)

 

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